Cabelos, gênero e identidade
Uma leitora me perguntou se corto cabelos, já que sou administradora de uma página sobre mulheres de cabelos curtos.
Quando mudei para Curitiba iniciei um blog falando de moda. Na época, fim de 2007, começo de 2008, ser blogueira não era profissão e o modo que encontrei de ganhar dinheiro através do blog e de minha experiência profissional foi prestar consultoria de estilo. Eu já administrava uma comunidade de cabelos curtos no Orkut. E, respondendo à questão, já fiz corte e coloração como parte de meu trabalho e normalmente eu faço isso nos meus cabelos. Para terceiros, depende de minha disponibilidade. O blog é minha prioridade e tenho um projeto para ele que tenho seguido para atingir as metas que estabeleci.
Porquê parei de trabalhar com moda e estilo para ser "só" blogueira? Porque me dei conta que estava fugindo do que queria fazer desde os 16 anos, que é viver do meu talento de escrever. E que o blog aliado às mídias sociais é um ótimo caminho para trabalhar com publicidade, que é minha área de formação, aliada aos conteúdos autênticos que estão ligados à minha experiência profissional e ao que fiz em quase 15 anos (desde o Orkut) atuando em mídias sociais.
A leitora queria um corte curto "feminino". Para mim, cortes de cabelo, independentemente do comprimento, não têm gênero. Bem como roupas. Jesus nas pinturas usa cabelos longos e túnica (vestido). O corte Chanel ou Bob era usado por homens na idade média e, no início do século XX era chamado "garçonne", pois era corte de homens. Veja os cabelos da figura do pajem (J) em alguns baralhos.
Gosto de várias bandas de metal, de várias vertentes, e é comum, entre músicos e fãs, os homens usarem cabelos compridos. E é interessante observar que a maior parte dos homens de cabelos longos têm cabelos mais bonitos e bem cuidados que a maioria das mulheres com o mesmo comprimento dos fios.
Cabelos são moldura do rosto? Eu discordo e já pintei meus cabelos como se fossem uma tela de arte abstrata, usando, entre outras, a técnica de pixelização, que desconheço quem fizesse no Brasil na época (e mesmo hoje). Mas para quem acredita nessa história de moldura, muita gente está usando molduras pobres, que desvalorizam sua beleza, só para manter as longas jubas "femininas". Como se cortar os cabelos fizesse a mulher mudar de sexo ou de orientação sexual.
Acho terrível essa relação entre cabelos longos e feminilidade. Conheci várias mulheres que tiveram câncer e perderam os cabelos no tratamento e muitas delas recorriam a perucas por ter essa necessidade do cabelo pra se auto-afirmar. Acho tão triste! Já raspei os meus e é tão boa a sensação de tomar um banho com eles raspados! Sentir a água caindo na cabeça e fazer carinho em si mesma!
Um amigo comentou esta semana que acha estranho as pessoas "se declararem" gays. Que para ele cada um devia viver sua vida como bem entender sem precisar "declarar" sua orientação sexual. Embora eu não esconda a minha, achei que a visão dele faz sentido. Ninguém tem nada com isso e a opinião dos outros não muda nosso gênero, nossa orientação sexual ou nossa auto-imagem.
Independentemente de gênero ou orientação sexual, temos de buscar estar belos (e belas), valorizando nossa beleza única. Tanto a interior como a exterior. Nossa aparência é reflexo do que alguns chamam de nossa alma ou espírito.
Como você cuida de seus cabelos? Tem medo do que os outros vão pensar se cortá-los? Como é sua relação com seus desejos sexuais? Tem vergonha deles? Vive-os sem se importar se a maioria aceita ou não?
Nycka, a nômade.
Quando mudei para Curitiba iniciei um blog falando de moda. Na época, fim de 2007, começo de 2008, ser blogueira não era profissão e o modo que encontrei de ganhar dinheiro através do blog e de minha experiência profissional foi prestar consultoria de estilo. Eu já administrava uma comunidade de cabelos curtos no Orkut. E, respondendo à questão, já fiz corte e coloração como parte de meu trabalho e normalmente eu faço isso nos meus cabelos. Para terceiros, depende de minha disponibilidade. O blog é minha prioridade e tenho um projeto para ele que tenho seguido para atingir as metas que estabeleci.
Porquê parei de trabalhar com moda e estilo para ser "só" blogueira? Porque me dei conta que estava fugindo do que queria fazer desde os 16 anos, que é viver do meu talento de escrever. E que o blog aliado às mídias sociais é um ótimo caminho para trabalhar com publicidade, que é minha área de formação, aliada aos conteúdos autênticos que estão ligados à minha experiência profissional e ao que fiz em quase 15 anos (desde o Orkut) atuando em mídias sociais.
A leitora queria um corte curto "feminino". Para mim, cortes de cabelo, independentemente do comprimento, não têm gênero. Bem como roupas. Jesus nas pinturas usa cabelos longos e túnica (vestido). O corte Chanel ou Bob era usado por homens na idade média e, no início do século XX era chamado "garçonne", pois era corte de homens. Veja os cabelos da figura do pajem (J) em alguns baralhos.
Gosto de várias bandas de metal, de várias vertentes, e é comum, entre músicos e fãs, os homens usarem cabelos compridos. E é interessante observar que a maior parte dos homens de cabelos longos têm cabelos mais bonitos e bem cuidados que a maioria das mulheres com o mesmo comprimento dos fios.
Cabelos são moldura do rosto? Eu discordo e já pintei meus cabelos como se fossem uma tela de arte abstrata, usando, entre outras, a técnica de pixelização, que desconheço quem fizesse no Brasil na época (e mesmo hoje). Mas para quem acredita nessa história de moldura, muita gente está usando molduras pobres, que desvalorizam sua beleza, só para manter as longas jubas "femininas". Como se cortar os cabelos fizesse a mulher mudar de sexo ou de orientação sexual.
Acho terrível essa relação entre cabelos longos e feminilidade. Conheci várias mulheres que tiveram câncer e perderam os cabelos no tratamento e muitas delas recorriam a perucas por ter essa necessidade do cabelo pra se auto-afirmar. Acho tão triste! Já raspei os meus e é tão boa a sensação de tomar um banho com eles raspados! Sentir a água caindo na cabeça e fazer carinho em si mesma!
Um amigo comentou esta semana que acha estranho as pessoas "se declararem" gays. Que para ele cada um devia viver sua vida como bem entender sem precisar "declarar" sua orientação sexual. Embora eu não esconda a minha, achei que a visão dele faz sentido. Ninguém tem nada com isso e a opinião dos outros não muda nosso gênero, nossa orientação sexual ou nossa auto-imagem.
Independentemente de gênero ou orientação sexual, temos de buscar estar belos (e belas), valorizando nossa beleza única. Tanto a interior como a exterior. Nossa aparência é reflexo do que alguns chamam de nossa alma ou espírito.
Como você cuida de seus cabelos? Tem medo do que os outros vão pensar se cortá-los? Como é sua relação com seus desejos sexuais? Tem vergonha deles? Vive-os sem se importar se a maioria aceita ou não?
Nycka, a nômade.
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